Posts de Dezembro, 2007

Dom Luiz – Carta sobre fim do jejum

Dezembro 21, 2007

Sobradinho, 20 de dezembro de 2007

Advento do Senhor
Aos meus irmãos e irmãs do São Francisco, do Nordeste e do Brasil

Paz e Bem!

    • “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus: é Ele que vem para nos salvar’. Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos”. (Isaías 35, 3-6)

      No dia de ontem completei 36 anos de sacerdócio – 36 anos a serviço dos favelados de Petrópolis (RJ), dos trabalhadores da periferia de São Paulo e do povo dos sertões sem-fim do nordeste brasileiro.  Ontem, vimos com desalento os poderosos festejarem a demonstração de subserviência do Judiciário. Ontem, quando minhas forças faltaram, recebi o socorro dos que me acompanham nesses longos e sofridos dias.

     Mas nossa luta continua e está firmada no fundamento que a tudo sustenta: a fé no Deus da vida e na ação organizada dos pobres.  Nossa luta maior é garantir a vida do rio São Francisco e de seu povo, garantir acesso à água e ao verdadeiro desenvolvimento para o conjunto das populações de todo o semi-árido, não só uma parte dele.  Isso vale uma vida e sou feliz por me dedicar a esta causa, como parte de minha entrega ao Deus da Vida, à Água Viva que é Jesus e que se dá àqueles que vivem massacrados pelas estruturas que geram a opressão e a morte.

     Uma de nossas grandes alegrias neste período foi ter visto o povo se levantando e reacendendo em seu coração a consciência da força da união, crianças e jovens cantando cantos de esperança e gritos de ordem com braços erguidos e olhos mirando o futuro que almejamos para o nosso Brasil querido. Um futuro onde todos, todos sem exceção de ninguém, tenham pão para comer, água para beber, terra para trabalhar, dignidade e cidadania.

     Recebi com amor e respeito a solidariedade de cada um, próximo ou distante.  Recebi com alegria a solidariedade de meus irmãos bispos, padres e pastores, que manifestaram de forma tão fraterna a sua compreensão sobre a gravidade do momento que vivemos.  Através do seu posicionamento corajoso, a CNBB nos devolveu a esperança de vê-la voltar a ser o que sempre foi em seus tempos áureos: fiel a Jesus e seu Evangelho, uma instituição voltada às grandes causas do Brasil e do seu povo e com uma postura clara e determinada na defesa da dignidade da pessoa humana e de seus direitos inalienáveis, principalmente se posicionando do lado dos pobres e marginalizados desse país.

     Ouvi com profundo respeito o apelo de meus familiares, amigos e das irmãs e irmãos de luta que me acompanham e que sempre me quiseram vivo e lutando pela vida.  Lutando contra a destruição de nossa biodiversidade, de nossos rios, de nossa gente e contra a arrogância dos que querem transformar tudo em mercadoria e moeda de troca.  Neste grande mutirão formado a partir de Sobradinho, vivemos um momento ímpar de intensa comunhão e exercício de solidariedade.

     Depois desses 24 dias encerro meu jejum, mas não a minha luta que é também de vocês, que é nossa.  Precisamos ampliar o debate, espalhar a informação verdadeira, fazer crescer nossa mobilização. Até derrotarmos este projeto de morte e conquistarmos o verdadeiro desenvolvimento para o semi-árido e o São Francisco. É por vocês, que lutaram comigo e trilham o mesmo caminho que eu encerro meu jejum.  Sei que conto com vocês e vocês contam comigo para continuarmos nossa batalha para que “todos tenham vida e tenham vida em abundância”.

     Dom Luiz Flavio Cappio

O site do Biondi está no ar

Dezembro 19, 2007

Como definir Aloysio Biondi?
Jornalista?

É. Ele foi um jornalista que cobriu economia e fez matérias para diversos veículos da grande imprensa e também de jornais “alternativos”. Mas dizer só isso sobre ele é pouco.

Na época da faculdade, eu tive a sorte de ter aulas de jornalismo econômico com ele. Posso dizer que Biondi era um verdadeiro mestre: tinha uma paciência budista com os alunos, mesmo com aqueles que faziam as perguntas mais toscas (e eu me incluo nessa leva…). Ensinava as coisas mais difíceis com uma calma que não se via nos outros jornalistas que chegavam afobados direto das redações para as salas de aula. Trazia uma indignação saudável, um jeito de falar sobre o Brasil como quem faz parte dele e não com o cinismo de quem escreve sobre um objeto qualquer.

Um outro professor chegou a escrever que o Biondi tinha uma “ira santa”. Acho que é bem por aí: se nos textos dele havia um forte tom de indignação, havia também muita solidariedade. Porque ele se colocava no lugar dos oprimidos, seja tratando do preço do feijão, seja explicando a balança comercial, ou detalhando as privatizações.

Com o Biondi eu aprendi a ter respeito pelo jornalismo econômico. Pelo verdadeiro jornalismo econômico, ou seja, aquele que se preocupa com as conseqüências sociais das medidas econômicas adotadas (ou estrategicamente ignoradas) pelos governantes; aquele que faz questão de usar uma linguagem simples e acessível para que qualquer pessoa possa acompanhar um determinado assunto econômico, por mais complexo que seja o tema.
 
O site que contêm boa parte de sua produção é uma bênção. Como Biondi sempre se pautou em escrever análises baseadas em fatos e em dados concretos, é um rico material para pesquisadores de qualquer matiz ideológico ou partidário.

Parabéns a todos os colegas e colaboradores que ajudaram a publicar esse site.

Visitem: www.aloysiobiondi.com.br

E aprovaram a DRU?

Dezembro 13, 2007

Enquanto uns comemoram e outros lamentam a suspensão da CPMF, no segundo parágrafo dos jornais está escondido o crime da mala, ou melhor, a aprovação da DRU (Desvinculação de Receitas da União), que vai para votação em segundo turno. Poucos discutem a DRU porque ela não tem a mesma visibilidade da CPMF, que está lá todo dia na movimentação bancária dos brasileiros. Mas vamos lá: a DRU é um mecanismo criado pelo governo federal que prevê a desvinculação de 20% das receitas da União oriundas de impostos, contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico.

Trocando em miúdos: sabe aquela parte da nossa Constituição que obriga o Brasil (pra não dizer governo, e pra lembrar que governo somos todos nós) a investir um mínimo de recursos públicos em saúde, educação e previdência/assistência social? Então, a DRU permite que se tire 20% dessa “vinculação” constitucional para que o governo gaste em outras coisas, como por exemplo, juros de dívida.

É. Há quem diga que a DRU é inconstitucional. O fato é que esse mecanismo empobrece as políticas públicas: se você viu escola com goteira no teto, professor com salário aviltante, alunos amontoados na sala de aula, já sabe: ali faltaram os 20% da DRU. Não acreditam? Então leiam os links a seguir e acompanhem esse assunto mais de perto.

1. A Radiobrás publicou um relatório sobre o impacto da DRU na seguridade social:
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/12/10/materia.2007-12-10.3150202619/view

2. Nota da Radioagência NP (publicada no site Brasil de Fato) mostra o impacto da DRU na educação (lei abaixo)

Desvinculação de Receitas da União é inconstitucional, aponta Ação Educativa
Os recursos retirados da educação, nos últimos 12 anos, poderiam ser destinados à construção de aproximadamente 120 mil creches em todo o país

10/10/2007 – Gisele Barbieri, de Brasília (DF)

Mais de R$ 70 bilhões de reais deixaram de ser investidos na área da educação nos último 12 anos por conta do mecanismo da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Esta é uma análise feita pela Universidade de São Paulo (USP) contida no estudo Custo Aluno-Qualidade, desenvolvido neste ano pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. A Desvinculação de Receitas da União, conhecida como DRU, é uma medida adotada pelo governo federal em 1994, pela qual o governo está autorizado a utilizar 20% dos recursos de impostos e contribuições em outros programas e despesas que ele achar prioritário. Assim, fica “desobrigado” de realizar os investimentos obrigatórios definidos pela Constituição.

Para a Organização Não-Governamental (ONG) de defesa da educação, Ação Educativa, esta medida é inconstitucional e restringe o direito à educação, não respeitando o previsto em lei. O artigo 212 da Constituição Federal diz que a União deve aplicar anualmente, 18%, e os estados, 25% da receita resultante de impostos para a manutenção e desenvolvimento do ensino. Segundo Salomão Ximenes, advogado da Ação Educativa, com a DRU, o repasse de recursos para a educação nunca é cumprido e acaba ficando sempre em torno de 13%. Ele aponta que a perda da educação a cada ano fica em 25%.

Os recursos retirados da educação, nos últimos 12 anos, poderiam ser destinados à construção de aproximadamente 120 mil creches em todo o país, amenizando o problema das 11 milhões de crianças brasileiras de 0 a 3 anos, que não estão matriculadas em creches como afirma José Marcelino de Rezende Pinto, responsável pela análise no estudo.

Os governos utilizam a DRU para desviar recursos da área social sobretudo para o pagamento do serviço da dívida, que responderá por 32% do orçamento de 2007. A Saúde fica com 4,95% e a educação, 2,14%.

Suspensa a transposição do São Francisco

Dezembro 12, 2007

Em caráter liminar, TRF-1 acatou pedido do Ministério Público Federal.

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) acatou pedido do Ministério Público Federal e suspendeu liminarmente as obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias do Nordeste Setentrional. Segundo o MPF, o projeto não poderia ter sido aprovado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) por três razões: o aporte hídrico pleiteado para a transposição é alvo de um procedimento administrativo no Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, que ainda não foi analisado; o projeto viola o Plano de Recursos Hídricos, pois visa ao aproveitamento para usos econômicos da água; e o projeto viola também os princípios da gestão descentralizada da água e da participação popular.

A decisão foi tomada ontem, 10 de dezembro, e é resultado de um recurso contra decisão de primeira instância em mandado de segurança. No dia 17 de janeiro de 2005, os conselheiros do CNRH reuniram-se e deliberaram sobre a Resolução 47/2005, que aprova o aproveitamento hídrico do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográfica do Nordeste Setentrional, apresentado pelo Ministério da Integração Nacional.

Para a procuradora regional da República Maria Soares Cordioli, autora do recurso, “tanto maior a preocupação do Ministério Público, uma vez que tal Resolução 47, de janeiro de 2005, nula de pleno direito, terminou por respaldar a prática de outros atos administrativos nulos, por conseqüência, e que  estão sendo considerados válidos e com efeitos concretos para implantação do Projeto”. Entre eles estão a outorga definitiva e o Certificado de Sustentabilidade Hídrica da Obra (Certoh) emitidos pela Agência Nacional de Águas (ANA) em setembro de 2005.Com a decisão do TRF-1, ficam suspensos os efeitos da Resolução CNRH 47/2005 e todos os atos administrativos derivados da norma. As obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias do Nordeste Setentrional ficam paralisadas, “até que se restaure a legalidade de todo o procedimento que antecede a sua aprovação perante do CNRH”, afirmou o desembargador Souza Prudente, relator do processo no tribunal.

 

Carolina Pompeu

Assessoria de Comunicação

Procuradoria Regional da República – 1ª Região

Telefones: 3317 4583 e 3317 4862

E-mail: carolinac@prr1.mpf.gov.br

“Tirar os direitos humanos do gueto”

Dezembro 11, 2007

Esse texto do www.simprosp.org.br está muito bom e vale a pena ser replicado.
Leiam! (e divulguem, é claro… ;) )

Edição nº 184 – 7/12/2007
“O desafio é tirar os direitos humanos do gueto”
Especialistas apontam possíveis caminhos para disseminar a tolerância e a cultura de paz
Por Elisa Marconi e Francisco BicudoO 3º Relatório Nacional sobre os Direitos Humanos no Brasil, produzido pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP) e pela Comissão Teotônio Vilela e com informações que contemplam o período que se estende de 2002 a 2005, chama a atenção para um cenário de impunidade crescente e de violações cada vez mais intensas contra garantias fundamentais do cidadão. O documento revela, apenas para citar alguns exemplos gritantes, que o trabalho infantil atinge quase dois milhões de crianças e jovens com entre 10 e 14 anos; em 2004, foram registrados quase dez mil casos de trabalho escravo nas diferentes regiões do país. Em 2005, 102 pessoas foram mortas por conta de conflitos por terra, principalmente nas áreas de agronegócio, mineração, extração de madeira e construção de usinas hidrelétricas. Sem tergiversar, o texto afirma que “houve no período um recesso no desenvolvimento de políticas de proteção e promoção dos direitos humanos no Brasil”.

Na semana em que se comemora o 59º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 10 de dezembro de 1948, a fotografia revelada pelo Relatório traz à tona profundas preocupações e suscita sentimentos de pessimismo e de desalento até mesmo entre os militantes que atuam na área. “Infelizmente é quase uma utopia falar de Direitos Humanos no Brasil”, lamenta o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador do Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH). “Por aqui, a maior parte da população não tem acesso nem às garantias mínimas, elementares, como saneamento básico, alimentação, água limpa”, completa. O discurso é corroborado por Antonio Carlos Malheiros, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) e professor da disciplina de “Direitos Humanos” na Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP). Segundo ele, é verdade que não estamos mais na situação que vivemos durante a ditadura militar, “mas ainda acompanhamos no Brasil desrespeitos absurdos e profundos a direitos que são fundamentais e deveriam ser invioláveis”.

Desigualdade sociais
Para os dois especialistas, o desrespeito começa com a profunda desigualdade social que assola o país. Apenas uma pequena parcela da população tem acesso a direitos básicos, universais, invioláveis e intransferíveis, que pertencem a cada pessoa desde antes ainda do nascimento. “É impossível imaginar que alguém que não tem o que comer ou que bebe água sem tratamento entenda que são instrumentos que favorecem a ela também. E aqui no Brasil o Estado está muito distante da maior parte da população, o que piora a situação”, afirma Malheiros. “A concentração desigual da renda é a primeira questão a ser enfrentada, porque ela aparta as pessoas de seus direitos básicos, incluindo a possibilidade de ser bem informada. E isso provoca sempre um mal entendido que é muito difícil de ser superado”, explica Ariel.

O coordenador do MNDH refere-se àquela distorção já tão estigmatizada no Brasil que afirma que “os direitos humanos existem apenas para proteger bandidos e que direitos humanos são para os humanos direitos”. Para ele, esse é um discurso conservador e reacionário que não entende, ou não quer entender, que homens e mulheres, independentemente da situação, têm direitos que devem ser observados em qualquer situação. Malheiros completa explicando que esse desvio não é só ruim porque aprofunda a distinção entre os que têm e os que não têm direitos, mas porque impede que a noção de que essas garantias legais existem cheguem justamente até os que mais precisam delas. “Esse discurso nascido ainda no tempo da ditadura fica colaborando para a manutenção do desrespeito. Naquele momento falava-se que quem defendia direitos humanos defendia terrorista, quem se colocava contra as leis. Isso pegou e até hoje serve como névoa e cortina de fumaça para discriminar quem defende os direitos da pessoa humana”.

O professor da PUC-SP lembra que não são apenas criminosos que se beneficiam dessas ações e lutas – quem atua nessa área tem ainda como prioridade a proteção daqueles grupos que são mais marginalizados, mais excluídos, que vivem mais próximos de situações de risco. Estão incluídos aí sim – e não poderia ser diferente – os presidiários e os adolescentes em recuperação, mas estão aí também as mulheres, os negros, os indígenas, os quilombolas, os idosos, os homossexuais, os moradores de rua e tantos outros, chamados erroneamente e por questões ideológicas de “minorias”. A opção não é por quem está dentro ou fora da lei, mas sim pelos que não têm acesso aos direitos básicos garantidos pela legislação brasileira e por todas as convenções internacionais assinadas pelo Brasil.

Falta de vontade política
Mas por que esse discurso cola tanto aqui no país? “Por que somos conservadores”, responde de imediato Alves. “E porque o Estado não se força muito a reverter essa situação. Caso o poder público se esforçasse, já teríamos ultrapassado certas fronteiras básicas, mas isso não deve interessar muito”, continua. Para Malheiros, o desrespeito aos direitos humanos no Brasil é assunto conhecido em todas as instâncias públicas e até internacionalmente. Por isso, a única explicação para que esse cenário se prolongue é a velha falta de vontade política – e, segundo o jurista, dos três poderes da República. Ele exemplifica com o caso tão recente quanto estarrecedor da menina L., de 15 anos, que ficou presa numa cela com vários homens adultos durante vários dias no município de Abaetetuba, no Pará. “Não é possível que nenhuma autoridade não soubesse do caso. Não é possível também que as autoridades continuem se fazendo de desentendidas nessa questão dos presídios, que são verdadeiros campos de concentração. Vou repetir, são campos de concentração”.

Apesar do panorama desanimador desenhado pelos dois especialistas, é preciso chamar a atenção para algumas movimentações e conquistas recentes, capazes de fazer brotar pelo menos um fio de esperança. Alves e Malheiros são apenas dois militantes da causa dos direitos humanos – e continuam cotidianamente lutando para efetivar sua aplicação. A reportagem do SINPRO-SP conversou com o professor da PUC/SP na saída de um julgamento, no Tribunal de Justiça, e antes de uma reunião na Comissão Justiça e Paz, entidade que preside desde 2006. Já o coordenador do MNDH abriu uma brecha em sua agenda e interrompeu sua participação na VII Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. São apenas duas peças de uma engrenagem bem mais ampla e que, mesmo com todas as controvérsias, não pára de atuar. Trata-se das associações, organizações e redes da sociedade civil organizada. Sem a atuação cotidiana dessas entidades, a situação estaria ainda pior.

Como já se anotou aqui, atualmente os braços de atuação da luta pelos direitos humanos são muito variados e englobam desde a defesa da mulher, dos pobres, dos índios, dos negros, dos quilombolas, dos sem-terra e dos sem-teto até as demandas dos presidiários, das crianças e dos adolescentes. Transitam pela cobrança ao acesso universal à saúde e à educação. E passam ainda pela luta contra a violência e a tortura. Por isso cada organização tem papel central na observação desses direitos, na cobrança para que sejam cumpridos, na denúncia quando são desrespeitados e, mais recentemente, na confecção de projetos de lei. “O tempo que nos separa da ditadura ajuda muito a caminhar em direção a essa participação mais efetiva da população, o que faz bastante diferença”, sugere o professor da PUC-SP. Alves enumera alguns dos últimos avanços nessa seara dos direitos humanos que passaram pelos esforços de entidades ligadas a essas lutas. “Podemos destacar a Lei Maria da Penha, que trata da violência contra a mulher, a discussão sobre a terra dos quilombolas, a proteção às testemunhas e vítimas de violência, a redução da mortalidade infantil e a consolidação do debate sobre o aborto também”.

Aliás, especificamente nesse tópico da interrupção da gravidez, os dois entrevistados ressaltam a importância de o governo federal assumir a responsabilidade por fomentar a discussão. Embora seja uma questão conflituosa e controversa, jogar luz sobre o tema sempre é uma boa notícia. Ou seja, há uma movimentação perene, mas de fato o avanço concreto fica ainda muito aquém do que se deseja. “Ainda assim, vejo caminhos para melhorar a realidade”, sustenta Alves.

O papel da educação
Ele aponta que a principal saída passa pela Educação. Pode parecer lugar comum, pode parecer chavão, a alternativa mais batida, mas o coordenador do MNDH acredita que está na escola o início de pequenas mudanças. Primeiro porque é o local onde as crianças podem começar a aprender o que são os direitos humanos e a entender amplamente que essas garantias são muito mais abrangentes do que se imagina e que têm estreita relação com a realidade que cerca cada um desses alunos.

Segundo o especialista, é na escola também que os estudante poderão se defender dos discursos reacionários contrários à universalização dos direitos, porque terão acesso à informação e ao conhecimento. “Esses meninos educados para os direitos humanos não se tornarão reprodutores de um discurso que se volta contra eles mesmos, contra suas famílias, contra sua comunidade”, avalia. E, por fim, é na escola – principalmente a pública – que se os direitos humanos e suas premissas forem aplicados, mudanças reais podem começar a ser presenciadas, tocadas, sentidas pelas crianças.

Ariel conta que as bandeiras da não-violência, da superação de tensões, da convivência harmônica com a diversidade, quando levantadas e exercitadas nas escolas, costumam dar muito bons resultados no que diz respeito à redução dos conflitos e das agressões. É a idéia de construção de uma cultura de tolerância e de paz. Contudo, o advogado ressalta que não é o professor sozinho o responsável por essa mudança. “Não dá para imaginar que o educador consiga reverter essa situação. Ele precisa do apoio da direção da escola, de assistentes sociais, de psicólogos e do sistema educacional como um todo”.

Nesse caminho, um passo importante foi a aprovação recente pelo Senado Federal do ensino do Estatuto da Criança e do Adolescente nas escolas. Se os professores forem bem orientados e trabalharem bem o tema na sala de aula, haverá avanços, segundo Alves. Outra boa notícia é que o crescimento do acesso à internet pode ser um propagador dessa consciência sobre os direitos humanos. Para o coordenador do MNDH, o jovem de hoje não tem as heranças da ditadura muito vivas, portanto não precisa acreditar que direitos humanos servem para defender criminosos. “Se o jovem tiver acesso à informação de boa qualidade, pode ter um repertório maior e começar a entender que respeitar todos é uma tarefa de cada um. Só assim essa luta sairá do gueto, deixará de ser coisa de advogado, de sociólogo e de gente de ONG e passará a ser uma bandeira da população”, conclui.

MOSTRA DO AUDIOVISUAL PAULISTA

Dezembro 10, 2007

update:

ZIP no youtube!

 

Recado do Thiago Bueno, diretor do curta “Pra todo mundo ouvir”:

“ESPALHEM POR AI, PRA TODO MUNDO OUVIR NO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO AMANHÃ, DIA 11, ÀS 16H, JUNTO COM ZIP, E DIA 16, ÀS 18H, MAIORES INFORMAÇÕES, OUTROS HORARIOS E TODA A PROGRAMAÇÃO VOCÊS ENCONTRAM NO SITE DA MOSTRA DO AUDIOVISUAL PAULISTA: www.mostraaudiovisual.com.br

O Zip é uma animação de bonecos, com direção de Tábata Gerbasi e direção de arte de Andrea VG (euzinha). :D

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Edital 2008 do Fundo Brasil de Direitos Humanos

Dezembro 10, 2007

O Fundo Brasil de Direitos Humanos (FBDH), entidade que apóia iniciativas, movimentos e pequenas organizações de Direitos Humanos em todo o país, lança, no próximo dia 13 de dezembro, quinta feira, o edital de financiamento para novos projetos no ano de 2008. No evento, que acontece às 14:30h no Centro Universitário Maria Antônia [que fica na Vila Buarque, São Paulo] estarão presentes lideranças dos 23 projetos financiados em 2007, e ocorrerá o debate “Investimento privado em Direitos Humanos no Brasil”, com a participação do jornalista Fernando Rosseti, Secretario Geral do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), dos empresários Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, e Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo da entidade, do advogado Valdemar Oliveira (Maneto), representante regional para o Brasil da Fundação Avina, e do empresário Benjamin Steinbruch, Presidente da CSN. O FBDH foi criado em dezembro de 2005 a partir da iniciativa conjunta de quatro grandes defensores dos Direitos Humanos no Brasil – o ex-bispo de São Felix do Araguaia, Dom Pedro Casaldaliga, a escritora feminista Rose Marie Muraro, a ex-dirigente da Comissão de Justiça e Paz da Diocese de São Paulo, Margarida Genevois, e o artista, escritor, poeta e militante do movimento negro, Abdias do Nascimento – e tem como objetivo angariar recursos para o financiamento de projetos de defesa dos Direitos Humanos implementados por organizações de base em seus próprios ambientes sociais, principalmente no interior do país. Com um orçamento anual inicial de R$ 500 mil, o FBDH apoiou em 2007, seu primeiro ano de existência, 23 projetos ligados a temas como infância e adolescência, raça, gênero, direito indígena, trabalho escravo, violência institucional e sustentabilidade social, ambiental e econômica, entre outros, com recursos que variaram de R$ 10 mil a R$ 25 mil por iniciativa. O edital de seleção de projetos para 2008 estará publicado no site do FBDH: http://www.fundodireitoshumanos.org.br.Fonte: http://www.rits.org.br/ 

Baixa produtividade da soja para biocombustível

Dezembro 7, 2007

Entrevista da Agência FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
http://www.agencia.fapesp.br/

Luiz Horta Nogueira destaca a baixa produtividade da soja para uso em biocombustível, sugere o uso de outras alternativas, como o dendê, e destaca o etanol

Entrevistas
Muito além da soja

07/12/2007
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP – O diesel brasileiro deverá ter 2% de biodiesel a partir do ano que vem, proporção que deverá aumentar para 5% em 2012. Mas a baixa produtividade por hectare de soja e a baixa produtividade energética poderão ser ameaças importantes à sustentabilidade tanto da meta do governo federal como do próprio programa de biodiesel no Brasil, segundo o engenheiro Luiz Augusto Horta Nogueira, professor titular da Universidade Federal de Itajubá e consultor da Organização das Nações Unidas.

Para ele, o programa desejável de biodiesel no país não passa pela soja ou pela mamona, como apontam muitos entusiastas. “O biodiesel é uma alternativa em desenvolvimento, no qual as matérias-primas não apresentam vantagem”, afirmou em entrevista à Agência FAPESP, no Rio de Janeiro.

Nogueira participou do simpósio Energia no Brasil, uma das atividades do encontro Avanços e perspectivas da Ciência no Brasil, América Latina e Caribe, promovido na sede da Academia Brasileira de Ciências e que termina nesta sexta-feira (7/12).

Agência FAPESP – Há um grande entusiasmo em relação ao uso do biodiesel no Brasil. A meta do governo federal é que até 2012 o diesel brasileiro tenha 5% de biodiesel. Isso será possível?
Luiz Augusto Horta Nogueira – Acho que, infelizmente, não. O biodiesel é uma alternativa em desenvolvimento, no qual as matérias-primas não apresentam vantagem, uma vez que têm custos elevados na produção. Há uma demanda de recursos naturais alta para produzir unidades energéticas. O biodiesel que temos hoje no Brasil provém em 80% da soja e será uma pena levar adiante um programa de biocombustível usando essa planta. A baixa produtividade por hectare e a baixa produtividade de energia por energia investida são os maiores problemas para a sustentabilidade desse programa. Se fizermos biodiesel de uma palma de dendê, teremos produtividade dez vezes maior do que a da soja e um consumo de energia 3 a 4 vezes mais baixo.

Agência FAPESP – Então, uma vez que existem outras alternativas, o programa de biodiesel não deve ser totalmente descartado?
Nogueira – O programa que propõe o uso do sebo e do óleo de dendê é promissor. O problema é que 80% do programa existente é em cima da soja, cuja colheita pode ser boa, mas a produtividade é baixa. O programa desejável de biodiesel no Brasil certamente não passa pela soja ou pela mamona. As palmeiras representam boa alternativa: têm baixo consumo por unidade de energia produzida e cultivo perene. Já a soja tem cultivo anual. Existe uma gama de palmáceas que seriam boas alternativas.

Agência FAPESP – As perspectivas são boas em relação ao etanol?
Nogueira – A indústria do etanol é mais madura e apresenta índices excelentes de desempenho. O etanol tem uma historia mais consistente. Ele é usado há mais de 80 anos no Brasil. O uso obrigatório de álcool misturado na gasolina vem desde 1931. Certamente, é a alternativa mais viável em todos os sentidos.

Observatório da Cidadania

Dezembro 7, 2007

Lançamento do relatório:
Dignidade e direitos: Seguridade social como direito universal

11/12/2007 – 9h30 às 13h
Av. Rio Branco, 124 – 22o. andar – Rio de Janeiro / RJ

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Festival Contato 2007: Frame Circus

Dezembro 4, 2007

O Frame Circus é uma banda que se propõe a fazer trilhas de filmes mudos ao vivo. O grupo é formado por Paulo Beto, Maurício Fleury e Tatá Aeroplano. Os simpáticos rapazes conversaram comigo logo após o show deles no Festival Contato. Digo simpático com propriedade, já que eu praticamente ceguei o Paulo com a minha-luz-de-derreter-noivos-no-altar e ele continuou com a entrevista. Fora o Tatá que fez uma declaração super linda pro festival e o Maurício que falou tudo e eu fiz questão de não cortar nada. :)  O lugar era inusitado: o ginásio de esportes da Universidade Federal de São Carlos, com puffs de garrafas pets espalhados pela quadra. Porém, combinou com o show e o público, que ficou a vontade e compenetrado no que acontecia. Eu mesma, fiquei ali, viajando…

Quem quiser saber mais:
Frame Circus:  www.myspace.com/framecircus/
Festival Contato: www.contato.ufscar.br