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Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a agricultura familiar no Brasil é responsável pela maioria dos alimentos na mesa dos brasileiros: 84% da mandioca, 67% do feijão, 58% dos suínos, 54% da bovinocultura do leite, 49% do milho, 40 % das aves e ovos, 32% da soja. Devido a grande importância da agricultura familiar para a alimentação nas cidades, o Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Brasília convida a comunidade para o debate: “Entorno e DF: terra, sustentabilidade e direito à moradia”.
O evento vai acontecer nos dias 4 e 5 de outubro e faz parte do projeto “Quintas Urbanas”, integrando também a VII semana de Extensão da Universidade de Brasília. Além do debate que vai trazer pesquisadores, representantes do Incra e dos movimentos sociais, haverá a apresentação de um vídeo documentário sobre segurança alimentar nos assentamentos do entorno do Distrito Federal. O objetivo do evento é dar visibilidade ao tema da segurança alimentar nas cidades do DF e do entorno, que está diretamente relacionado à reforma agrária e a questão fundiária nessa região. De acordo com o coordenador do Quintas Urbanas professor Perci Coelho “A falta de uma política de reforma agrária consistente pode levar a insegurança alimentar nas cidades”.
Assentados do MST têm mais segurança alimentar do que os bóias-frias
As famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) assentadas no entorno do Distrito Federal pelo processo de reforma agrária têm mais qualidade de vida e segurança alimentar do que as dos bóias frias que trabalham por temporada nas grandes monoculturas. Esse é um dos resultados da pesquisa do Dr. Fernando Carneiro, que também estará presente no debate do Quintas Urbanas.
De acordo com o pesquisador, um dos fatores que põe em risco a segurança alimentar do bóia-fria é o fato de ele ficar empregado por seis meses no ano, passando sérias dificuldades financeiras nos outros períodos em que não há trabalho. Além disso, o bóia-fria está exposto aos agrotóxicos utilizados na plantação em larga escala e também à baixa qualidade de vida: na maioria das vezes, ele precisa levar sua própria comida ao local de trabalho, que não oferece condições adequadas de armazenamento e higiene desse alimento.
Por outro lado, as famílias assentadas produzem para sua própria subsistência, além de vender o excedente de sua produção, o que garante mais renda. Além disso, esses trabalhadores não estão exposto aos agrotóxicos, uma vez que no entorno a prioridade é a agricultura orgânica.
Assentamentos
Atualmente existem cerca de 151 assentamentos e 60 acampamentos (ocupação em áreas improdutivas, griladas ou que de alguma forma não estejam regularizadas) no DF e no entorno. O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) da SR 28 Herbert Cavalcanti de Lima avalia que hoje “há uma imensa demanda social por assentamento e ao mesmo tempo há uma limitação orçamentário, o que coloca um grande desafio aos gestores do Incra”.
Herbert explica que os movimentos sociais são fundamentais no processo de planejamento e pressão por mais recursos, para que as ações do Incra possam contemplar as demandas sociais. “Ainda que existam alguns conflitos, os movimentos sociais sem dúvida auxiliam na execução da política de reforma agrária”, ela reforça.
Sobre a proposta do governo federal de incentivar plantação de espécies não-alimentares (para biocombustível) nas pequenas agriculturas, Herbert mostra-se preocupado. Ele alerta que isso pode
inviabilizar auto-sustentabilidade alimentar dessas famílias, colocando-as novamente em risco.
Movimentos Sociais
Os assentamentos do entorno do DF ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST)vêm priorizando a agricultura orgânica. Segundo Flávio Silva, da direção nacional do MST no Distrito Federal e entorno, essa modalidade é incentivada pois além de ser mais segura do ponto de vista da saúde, é mais segura do ponto de vista ecológico e econômico. A utilização de sementes crioulas, por exemplo, é uma forma de resistência à cultura dos transgênicos. Ele explica que determinadas sementes transgênicas (denominadas “terminators”), por exemplo, deixam de se reproduzir após um período, o que leva o agricultor a ter que comprar uma nova quantidade de semente se quiser continuar plantando aquela espécie.
SERVIÇO
Evento: debate “Entorno e DF: terra, sustentabilidade e direito à moradia” e apresentação de vídeo documentário sobre segurança alimentar nos assentamentos do DF e entorno.
Promoção: Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília/Quintas Urbanas
Data: 4 e 5 de Outubro de 2007.
Local: auditório da Música da UnB, Brasília-DF.
Horário: 4 de outubro, das 8h às 18h; 5 de outubro das 8h às 12h.
Custo: grátis, inscrições no local.
Informações: (61) 3307-2290 | 3273-7536
PROGRAMAÇÃO DETALHADA
Quinta-feira dia 04/108h – Credenciamento e inscrições
8h30 – Mesa de abertura – Coordenação: Profa. Dra. Maria Salete Kern de Machado (SOL/ICS) – participação: Flávio Silva (MST)
9h – Segurança alimentar e reforma agrária no Entorno: uma questão de sustentabilidade urbana
09h – Vídeo documentário sobre segurança alimentar e Reforma Agrária.
09h15 – Herbert Cavalcante de Lima (INCRA)
09h45 – Dr. Fernando Carneiro (Assessor)
10h10 – Prof. Msc. Newton N. Gomes (SER/IH)
10h40 – Síntese
10h50 – Intervalo para café
11h – Debates em plenário
12h – Mística do MST12h30 – Intervalo para o almoço
14h – Grilagem de terras no DF e Entorno: contradições no processo de
regularização e direito à moradia – Coordenação: Profa. Dra. Marilia
Peluso (GEA)
14h15 – Paulo Serejo (SEJUS)
14h45 – Da. Terezinha (AMCPR)
15h10 – Dep. Érika Kokay
15h40 – Dra. Magda de Lima Lucio (SOL/UnB)
16h10 – Síntese
16h20 – Intervalo para café
16h30 – Debates em plenário
18h – Fechamento da mesa
Apoio: Estudantes, tec. adm. SER/IH
Sexta-Feira dia 05/10
8h00 – Comunicações dos Estudantes na Temática do Projeto Quintas
Urbanas: problemas e potencialidades do DF e Entorno
10h – 5a. Reunião do Conselho Deliberativo do Projeto Quintas Urbanas
da UnB: problemas e potencialidades do DF e Entorno
Coordenação: Prof. Dr. Perci Coelho de Souza (SER/IH)
1a. Agenda – Grupos de pesquisa urbana UnB
2a Agenda – Movimento Popular do DF e Entorno
3a Agenda – Poder Público
10h30 – Plenária dos encaminhamentos das próximas atividades do
Projeto Quintas Urbanas
12h – Encerramento

