Posts de Setembro, 2007

UnB promove debate sobre segurança alimentar e reforma agrária no DF e entorno

Setembro 28, 2007

unai

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a agricultura familiar no Brasil é responsável pela maioria dos alimentos na mesa dos brasileiros: 84% da mandioca, 67% do feijão, 58% dos suínos, 54% da bovinocultura do leite, 49% do milho, 40 % das aves e ovos, 32% da soja. Devido a grande importância da agricultura familiar para a alimentação nas cidades, o Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Brasília convida a comunidade para o debate: “Entorno e DF: terra, sustentabilidade e direito à moradia”.

O evento vai acontecer nos dias 4 e 5 de outubro e faz parte do projeto “Quintas Urbanas”, integrando também a VII semana de Extensão da Universidade de Brasília. Além do debate que vai trazer pesquisadores, representantes do Incra e dos movimentos sociais, haverá a apresentação de um vídeo documentário sobre segurança alimentar nos assentamentos do entorno do Distrito Federal. O objetivo do evento é dar visibilidade ao tema da segurança alimentar nas cidades do DF e do entorno, que está diretamente relacionado à reforma agrária e a questão fundiária nessa região. De acordo com o coordenador do Quintas Urbanas professor Perci Coelho “A falta de uma política de reforma agrária consistente pode levar a insegurança alimentar nas cidades”.

Assentados do MST têm mais segurança alimentar do que os bóias-frias
As famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) assentadas no entorno do Distrito Federal pelo processo de reforma agrária têm mais qualidade de vida e segurança alimentar do que as dos bóias frias que trabalham por temporada nas grandes monoculturas. Esse é um dos resultados da pesquisa do Dr. Fernando Carneiro, que também estará presente no debate do Quintas Urbanas.

De acordo com o pesquisador, um dos fatores que põe em risco a segurança alimentar do bóia-fria é o fato de ele ficar empregado por seis meses no ano, passando sérias dificuldades financeiras nos outros períodos em que não há trabalho. Além disso, o bóia-fria está exposto aos agrotóxicos utilizados na plantação em larga escala e também à baixa qualidade de vida: na maioria das vezes, ele precisa levar sua própria comida ao local de trabalho, que não oferece condições adequadas de armazenamento e higiene desse alimento.

Por outro lado, as famílias assentadas produzem para sua própria subsistência, além de vender o excedente de sua produção, o que garante mais renda. Além disso, esses trabalhadores não estão exposto aos agrotóxicos, uma vez que no entorno a prioridade é a agricultura orgânica.

Assentamentos
Atualmente existem cerca de 151 assentamentos e 60 acampamentos (ocupação em áreas improdutivas, griladas ou que de alguma forma não estejam regularizadas) no DF e no entorno. O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) da SR 28 Herbert Cavalcanti de Lima avalia que hoje “há uma imensa demanda social por assentamento e ao mesmo tempo há uma limitação orçamentário, o que coloca um grande desafio aos gestores do Incra”.

Herbert explica que os movimentos sociais são fundamentais no processo de planejamento e pressão por mais recursos, para que as ações do Incra possam contemplar as demandas sociais. “Ainda que existam alguns conflitos, os movimentos sociais sem dúvida auxiliam na execução da política de reforma agrária”, ela reforça.

Sobre a proposta do governo federal de incentivar plantação de espécies não-alimentares (para biocombustível) nas pequenas agriculturas, Herbert mostra-se preocupado. Ele alerta que isso pode
inviabilizar auto-sustentabilidade alimentar dessas famílias, colocando-as novamente em risco.

Movimentos Sociais
Os assentamentos do entorno do DF ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST)vêm priorizando a agricultura orgânica. Segundo Flávio Silva, da direção nacional do MST no Distrito Federal e entorno, essa modalidade é incentivada pois além de ser mais segura do ponto de vista da saúde, é mais segura do ponto de vista ecológico e econômico. A utilização de sementes crioulas, por exemplo, é uma forma de resistência à cultura dos transgênicos. Ele explica que determinadas sementes transgênicas (denominadas “terminators”), por exemplo, deixam de se reproduzir após um período, o que leva o agricultor a ter que comprar uma nova quantidade de semente se quiser continuar plantando aquela espécie.

SERVIÇO

Evento: debate “Entorno e DF: terra, sustentabilidade e direito à moradia” e apresentação de vídeo documentário sobre segurança alimentar nos assentamentos do DF e entorno.
Promoção: Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília/Quintas Urbanas
Data: 4 e 5 de Outubro de 2007.
Local: auditório da Música da UnB, Brasília-DF.
Horário: 4 de outubro, das 8h às 18h; 5 de outubro das 8h às 12h.
Custo: grátis, inscrições no local.
Informações: (61) 3307-2290 | 3273-7536

PROGRAMAÇÃO DETALHADA

Quinta-feira dia 04/108h – Credenciamento e inscrições
8h30 – Mesa de abertura – Coordenação: Profa. Dra. Maria Salete Kern de Machado (SOL/ICS) – participação: Flávio Silva (MST)
9h – Segurança alimentar e reforma agrária no Entorno: uma questão de sustentabilidade urbana
09h – Vídeo documentário sobre segurança alimentar e Reforma Agrária.
09h15 – Herbert Cavalcante de Lima (INCRA)
09h45 – Dr. Fernando Carneiro (Assessor)
10h10 – Prof. Msc. Newton N. Gomes (SER/IH)
10h40 – Síntese
10h50 – Intervalo para café
11h – Debates em plenário
12h – Mística do MST12h30 – Intervalo para o almoço

14h – Grilagem de terras no DF e Entorno: contradições no processo de
regularização e direito à moradia – Coordenação: Profa. Dra. Marilia
Peluso (GEA)
14h15 – Paulo Serejo (SEJUS)
14h45 – Da. Terezinha (AMCPR)
15h10 – Dep. Érika Kokay
15h40 – Dra. Magda de Lima Lucio (SOL/UnB)
16h10 – Síntese
16h20 – Intervalo para café
16h30 – Debates em plenário
18h – Fechamento da mesa
Apoio: Estudantes, tec. adm. SER/IH

Sexta-Feira dia 05/10

8h00 – Comunicações dos Estudantes na Temática do Projeto Quintas
Urbanas: problemas e potencialidades do DF e Entorno
10h – 5a. Reunião do Conselho Deliberativo do Projeto Quintas Urbanas
da UnB: problemas e potencialidades do DF e Entorno
Coordenação: Prof. Dr. Perci Coelho de Souza (SER/IH)
1a. Agenda – Grupos de pesquisa urbana UnB
2a Agenda – Movimento Popular do DF e Entorno
3a Agenda – Poder Público
10h30 – Plenária dos encaminhamentos das próximas atividades do
Projeto Quintas Urbanas
12h – Encerramento

Dia Global de Mobilização e Ação 26/01/2008

Setembro 26, 2007

FSM convoca para 26 de Janeiro de 2008
por Jair Barbosa Jr.
fonte: http://www.inesc.org.br/

Uma semana de atividades e manifestos pelo mundo culminará no Dia Global de Mobilização e Ação em 26 de Janeiro de 2008

Por que um Dia de Mobilização e Ação Global?

Desde o levante zapatista, em 1994, e as manifestações de Seattle, em 1999, surge uma aliança mundial de movimentos contra a globalização neoliberal, a guerra, o patriarcado, o racismo, o colonialismo e os desastres ambientais.

Esse movimento teve como marcos as grandes mobilizações internacionais como as realizadas em Gênova e Cancun contra a OMC. Atingiu seu apogeu em 15 de fevereiro de 2003, com a grande manifestação mundial contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

Nos últimos anos, esses movimentos cresceram enormemente, enraizados na lutas nacionais e realidades locais. Em todos os cantos do planeta, mobilizações surgem em diferentes áreas. O principal desafio agora é fazer a conexão entre estas lutas locais e nacionais com objetivos mundiais para ampliar alianças e fortalecer nossas lutas, alternativas e campanhas. Este é o propósito do Dia de Mobilização e Ação Global em 2008: atuar localmente para mudar globalmente! Dar visibilidade às lutas locais por meio de um dia de ação comum!

Por que o dia 26 de janeiro?

Desde 2001, o Fórum Social Mundial (FSM) se tornou o principal espaço no qual todos esses movimentos se encontram e constroem alianças. O FSM não é um evento. Ele é um processo que está vivo nos fóruns locais, nacionais, regionais e temáticos, nas muitas lutas plurais, campanhas, alternativas para um outro mundo que são desenvolvidas em todo o planeta. A decisão que o próximo FSM se realize em 2009, dois anos após o FSM em Nairóbi (Quênia, África), abre espaço para que uma ampla mobilização global se realize em 2008. A data, 26 de janeiro, foi escolhida como forma de manter o confronto com o Fórum Econômico Mundial, encontro da elite neoliberal que acontece sempre em janeiro em Davos (Suíça) para aprofundar a teoria e a prática da dominação do mundo pelo capital. Uma semana de mobilização culminando em um Dia de Mobilização e Ação Global em 26 de janeiro de 2008

Como se envolver?

O Dia de Mobilização e Ação Global será realizado por todas as organizações e movimentos em nível internacional, nacional e local que queiram envolver-se. Cada rede, movimento, organização decidirá como realizar suas próprias ações, seus temas, seu formato e como irá articular suas conexões nacionais e internacionais. Para participar desde já desta mobilização, sua organização deve:

! assinar o chamado global (no site www.wsf2008.net)

! divulgá-lo ao máximo utilizando seus próprios meios de comunicação (boletins, sites, jornais, programas de rádio, ou redistribuindo em seus mailings o chamado)

! organizar suas próprias ações

! dar a maior visibilidade possível às ações já planejadas para a semana e o dia 26 de janeiro de 2008.

! propor conexões nacionais e internacionais entre ações

A implicação dos atores sociais não se dará apenas com ferramentas técnicas como email ou internet: é preciso que todos e todas divulguem informações, falem com seus contatos e com outros movimentos e organizações de todas as regiões do planeta, participando ativamente do processo de mobilização.

Em um segundo momento, será necessário construir concretamente as mobilizações em nível local. Neste ponto, um site na internet permitirá que cada um/a proponha uma ação e construa alianças e coalizões em torno a ela. Mas esta ferramenta só funcionará se houver anteriormente um processo real de encontro e contato entre os grupos.

Em um terceiro momento, se dará ampla divulgação às ações definidas.

O que pode ser feito?

! demonstrações públicas (marchas, paradas, ocupações, bicicletadas)

! panfletagens (editar cartazes, cartilhas e declarações públicas e distribui-los nas comunidades e locais públicos como mercados, estações de ônibus, trens, escolas e igrejas)

! atividades culturais e artísticas em geral: performances, intervenções, sessões de cinema e debate, shows, teatro, grafites, oficinas de criação de banners, bonecos, instrumentos musicais

! desfile de tochas ou velas

! conferências, palestras, debates em universidades, fábricas, centros comunitários e igrejas

! assembléias e mutirões

! boicotes

! fóruns temáticos e regionalizados … entre outras atividades

Onde conseguir mais informações?

http://www.wsf2008.net

http://www.forumsocialmundial.org.br

Email: globalaction@wsf2008.net

Escritório do FSM no Brasil

Rua General Jardim, 660 – 7º andar – sala 72

CEP: 01223-010 – São Paulo – SP

Tel. +55 11 3258-8914

Fax +55 11 3258-8469

E.mail: fsminfo@forumsocialmundial.org.br

Comissão discute biocombustíveis e produção de alimentos

Setembro 11, 2007

Amanhã iremos acompanhar a audiência pública sobre a produção de alimentos. Leia abaixo a matéria da Agência Cãmara do evento em questão:

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias promove na quarta-feira (12) audiência pública para discutir o aquecimento global, a produção de biocombustíveis e sua possível interferência na produção de alimentos. O debate foi sugerido pelo deputado Chico Alencar (Psol-RJ).

Ele reconhece o fato de os agrocombustíveis serem menos poluentes do que a gasolina e o diesel, mas aponta a preocupação dos movimentos sociais camponeses e de ecologistas com a possível transformação do Brasil em uma “plataforma de exportação de combustível verde”. “Tudo isso à custa de nossas florestas e terras férteis, que substituíram os plantios voltados à alimentação do nosso povo para alimentar os tanques dos automóveis das classes médias e altas do País e do planeta”, afirma

O parlamentar também critica o resultado da visita do presidente americano, George W. Bush, ao Brasil, em março, quando foi firmado um acordo de cooperação tecnológica na área de biocombustíveis. “Preocupado em dar uma resposta ao seu país e ao mundo quanto ao aquecimento global, principalmente pelo fato de não ter assinado o protocolo de Quioto, George Bush procura fazer uma parceria com o Brasil que lhe permita ter acesso à nossa tecnologia e às nossas terras para garantir o abastecimento de sua imensa frota de veículos”, disse.

Convidados
Foram convidados para a audiência:
- o professor e assessor da Via Campesina Horácio Martins;
- o coordenador da Campanha de Energias Renováveis do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo;
- o teólogo, escritor e professor Leonardo Boff;
- o coordenador do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos, Ivônio Barros;
- o professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB) Donald Sawyer.

A reunião será realizada no plenário 9, a partir das 14 horas.

Da Redação/NN
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara’)

Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br

Gravações

Setembro 5, 2007

A Videoideia está em gravações para um documentário sobre segurança alimentar no entorno do DF. Já visitamos os assentamentos de Simolândia (GO) e Unaí (MG). Agora faltam apenas duas entrevistas para começarmos o processo paciente de edição! ;)

simol

Notícias do curta-metragem ZIP

Setembro 3, 2007

zipOlha que legal essa crítica sobre o Zip!!! Saiu no blog do kinoforum!
Pra quem não sabe, Zip é uma animação feita durante a minha formação lá na Ufscar (Universidade Federal de São Carlos). Neste curta, eu fiz a direção de arte e contei com uma equipe muito especial de cerca de 15 pessoas, entre biXos (os-que-acabam-de-ingressar-na-faculdade), simpatizantes e amigos da turma! :D

http://blog.kinoforum.org.br/2007/08/28/ate-que-nao-e-tao-ruim/
Até que não é tão ruim…
28 de Agosto de 2007

Conversando na quinta-feira com o Maurício, outro participante deste blog, confessei a ele uma promessa que eu havia feito a mim mesma: não assistir a nenhuma sessão do Cinema em Curso. Vendo a programação, percebi que só poderia (por razões pessoais) assistir no sábado à sessão do Panorama Brasil 1, que por acaso era precedida de uma sessão do Cinema em Curso. Para não perder a viagem (moro em São Bernardo), resolvi me arriscar e assistir à produção de jovens universitários.
“Zip” foi um chute no estômago. Meus pré-conceitos formados acerca da produção universitária foram caindo à medida que a animação ia contando a história de Zip. Um menino que tem como objeto de consumo um livro e, como não tem dinheiro para comprar, resolve trabalhar.
Todos os clichês da rotina de um escritório estão lá, as baias minúsculas, o chefe que grita, os colegas de trabalho que não admitem serem tocados. Somente Zip é colorido; seus colegas de trabalho são menores e acinzentados. Seu chefe só aparece para lhe dar ordens. À medida que os dias passam, Zip se adapta, sua adaptação é fisicamente visível, e a força do curta está aí: o sistema de organização do trabalho poda a criatividade e as perspectivas de mudança que, num primeiro momento, era demonstrada através de seu objeto de desejo, uma forte crítica social — em algum momento da vida, passaremos por isso. Zip não consegue o que quer, já não pode carregar o livro. Narrar o filme dessa forma tem um quê de metafórico e, o mais incrível, literalmente é o que acontece.
Os recursos para a realização dessa animação não foram somente da universidade. Diversos patrocinadores aparecem nos créditos finais, provando que mesmo um projeto de universitários tem potencial para captar recursos e realizar algo de qualidade, superando até mesmo realizadores com alguns anos de bagagem. (Ana Mesquita)
“Zip” está no Cinema em Curso 2.